Quarta-feira, Julho 01, 2009
Terça-feira, Maio 26, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
Páginas de diário (cinéfilo) - Um sentido para a vida?


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Sexta-feira, Maio 15, 2009
Le Sable
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Quinta-feira, Maio 07, 2009
Será que já estreou e eu nem dei por isso?...
Há muito que tenho alguma ansiedade em ver "Parlez-moi de la pluie". É que o casal da imagem ao lado, via de regra, escreve argumentos mesmo muito bons. De qualquer forma, sobre a estreia em Portugal, não ouvi falar.
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Segunda-feira, Maio 04, 2009
Indie Lisboa 09 - Balanço
O Indie Lisboa vai-se sedimentando como o mais importante festival de cinema realizado em Lisboa, espaço único para o visionamento de obras menos acessíveis e para o acompanhamento das novas tendências ao nível do cinema independente. Bem organizado e dotado de uma estrutura cada vez mais sólida, proporciona ao espectador um sem número de escolhas. As minhas, este ano, foram as seguintes:Herói independente (Werner Herzog) - "Fitzcarraldo" e "Nosferatu, the vampyre".

Herói independente (Jaques Nolot) - "J'embrasse pas" (André Téchiné) e "Avant que j'oublie".
Indie Music - "Soul Power" (Jeffrey Levy-Hinte).
Começando por "Breathless", é um filme de autor, no qual a violência e os recalcamentos que a mesma implica são abordados de uma forma pujante. Impressiona pelas imagens cruas e, a mim, causou-me uma intensa sensação de amor-ódio. Talvez não fosse o filme indicado para uma tarde amena, ou talvez a minha falta de gosto pelo cinema asiático influencie de forma determinante a forma como o avalio, pelo que, em relação a ele, não me estendo em comentários.
"Una Semana Solos" é um filme muito semelhante a outro que já vira há uns anos: "Temporada de Patos". Cinematicamente caracterizado por longos planos sequência em que se vão definindo personagens, conta a história de um grupo de crianças que ficam sozinhas num condomínio de luxo, durante a ausência dos pais. Entre brincadeiras e descobertas, vai-se abordando a transição da infância para a adolescência, entremeada pela questão da diferença de classes e do papel que, nessas fases, a mesma pode ter. Para mim peca por ter um argumento que, embora interessante, foi feito sem um rumo definido. Ainda assim, um olhar sobre o tão falado "novo cinema argentino", numa produção de Martin Scorsese.
Quanto ao último filme de Honoré, "La belle persone", diga-se que nem é tão mau como o anterior "Les chansons d'amour", nem está ao nível de "Dans Paris" ou "Ma Mère". Sendo certo que esta é e apenas poderá ser a minha opinião pessoal, acho-o próximo de "Dans Paris", tanto no que toca ao argumento, como relativamente à estrutura adoptada, embora, a meu ver, nada lhe acrescente. Em Honoré são interessantes as partes musicais (desde que não abusadas como aconteceu em "Les chansons d'amour") e neste filme podemos assistir a uma cena semelhante ao Avaint la haine de Dans Paris. É muito interessante a personagem interpretada por Léa Seydoux, uma actriz que brevemente se estreará nos ecrãs dirigida por Tarantino ou Ridley Scott. Foi o filme do qual mais gostei neste Indie 09 e penso que, não sendo uma obra prima, vale muito a pena.
"Il Divo" é uma espécie de biografia de Giulio Andreotti, antigo primeiro ministro italiano. Com um humor subtil e mordaz, dotado de uma brilhante montagem rápida e de visíveis cuidados de pós-produção, é um filme que põe a nú os evidentes problemas do sistema político italiano, focando especialmente as relações entre o mesmo e a máfia. No seguimento de Gomorra, mais um filme polémico que em muito mancha a história italiana. Muito bem realizado, recomenda-se a quem tenha interesse pelo tema e não só.
"Kinogamma" foi um filme que fui ver, só e apenas, porque durante os primeiros dias do festival esteve no primeiro lugar da votação do público. Acabou por não se manter nessa posição, o que, a acontecer, seria para mim um desastre. Cinema não narrativo, com algumas imagens belas, mas enfadonho por si só. Imaginem o que seria ver 146 minutos de filmagens sem um único diálogo? Por sorte, houve intervalo a meio, razão pela qual apenas assisti à primeira parte do filme. Talvez tenha acontecido um milagre, ou talvez não, muito embora, com toda a franqueza, não possa crer que tal tenha ocorrido... Mais uma vez, opinião muito pessoal, até porque por estes lados, não se apreciam por aí além experiências cinemáticas puras, isto é, desacompanhadas de uma história...
Sobre "Fitzcarraldo", dizer em primeiro lugar que há dois tipos de filmes em Herzog, "os que têm Kinski e os que não têm Kinski". Quanto aos primeiros, no qual se pode contar este "Fitzcarraldo", a sua aura torna-se sempre indissociável do filme, pela pujança que imprime às suas interpretações. Kinski é um louco, seja na tela ou fora dela, disso estou certo. Neste filme, encarna um louco "sui generis", que quer construir uma ópera na selva, disposto a, para isso, fazer um barco subir uma montanha! Na senda de "Aguirre", aquela que, para mim, é a obra prima de Herzog, mais um filme sobre a alienação e a cegueira que a mesma pode imprimir num indivíduo. Até onde vai a vontade quando a loucura não se esgota? Vejam o filme, certamente que nele encontrarão um esboço de resposta a esta pergunta.
"Nosferatu, the Vampyre" é uma versão muito pessoal da famosa história de Bram Stoker. Muito longe da versão de Copolla e muito mais próxima da de Murnau, não apresenta porém a riqueza da estética expressionista desta segunda, embora o tente. Devo dizer que não gostei do filme por aí além... Há bons planos, uma boa interpretação de Kinski (totalmente transfigurado), mas peca pelo argumento. Com efeito, de tanto querer fazer uma coisa diferente, Herzog acabou por não acrescentar nada ao que Murnau tinha feito. Pelo contrário, criou uma história partida, em que a segunda metade do filme parece ter sido feita à pressa, descurando pormenores narrativos que, a meu ver, teriam enriquecido o filme. Não é um remake, mas se o fosse talvez tivesse sido um melhor filme...
"J'embrasse pas" é um filme cujo argumento foi escrito por Jaques Nolot e reaproveitado pelo realizador dos brilhantes "Les roseaux sauvages", "Les égarés", "Les temps qui changent", entre outros. Sente-se no filme a cadência via de regra adstrita aos filmes de Téchiné, que é como quem diz, cinema francês típico, pausado quanto baste e capaz de, por planos, significar a alma das personagens. Como o próprio Nolot teve oportunidade de explicar antes do visionamento do filme, o seu argumento é autobiográfico. É a história de um jovem que chega à cidade e se apaixona por uma prostituta, a bela Emmanuelle Béart. É uma história em que um inocente perde a inocência para se tornar gigolô. Deixa algo a desejar o final do filme.
"Avant que j'oublie" é novamente um filme com aspectos biográficos de Nolot, cuja ideia principal se baseia na solidão da velhice e na leviandade com que o sexo é encarado, quase como forma de frivolamente estar, especialmente no que diz respeito aos homosexuais. Não me tocou por aí além, embora de um ponto de vista abstracto, consiga perceber o cerne do filme. O que fazer quando a nossa vida de jovens acabou e não conhecemos nenhuma outra? Uma experiência quiçá dolorosa para Nolot, ainda assim, um filme autoral, interessante para quem sinta o tema.
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Quinta-feira, Abril 23, 2009
Quarta-feira, Abril 15, 2009
Charlton Heston na RTP
Adiante...
Vi também "55 dias em Pequim", realizado em 1963 por Nicholas Ray. Este filme foi o último realizado por Nick Ray e inseriu-se num contrato de três filmes para o ganancioso produtor Samuel Bronston, que seriam rodados em Madrid. Segundo se conta, Ray terá adoecido a meio da rodagem do filme, pelo que o seu verdadeiro realizador, responsável pela maioria do filme, terá sido Guy Green, um director de fotografia britânico.
Sobre "55 days at Peking", algumas palavras do próprio Nick: "É-me doloroso falar deste filme. Lembro-me que, uma noite, acordei e disse à minha mulher: Alguém ou alguma coisa veio ter comigo e disse-me que se eu fizer este filme nunca mais faço outro."Palavras proféticas as do realizador, visto que a sua atribulada carreira em Hollywood, que começara 15 anos antes com "They Live by night", teria mesmo aqui o seu ponto final. Depois deste filme, apenas uma co-realização com Wim Wenders (Lightning over water), em que o papel de Ray é mais o de um actor do que o de um realizador propriamente dito.
"55 dias em Pequim" é uma espécie de épico à Hollywood, que retrata um período da história Chinesa marcado pela revolução dos boxers, caracterizados como uma espécie de seita de assassinos. Aliás, é interessante a perspectiva colonial em que o filme assenta, quase dando a entender ao espectador que a defesa da presença dos "quase colonizadores" estrangeiros na China é um feito capaz de evangelizar o maior dos exploradores. Dizer sobre este assunto que Heston assenta bem no papel, ele que em vida lutou pelo "glorioso" direito dos americanos a terem uma arma, essa causa nobre e fulcral ao progresso da humanidade... Perguntar se Heston foi um homem ou um homúnculo seria quase tão interessante como discutir o Ben-Hur, pelo que ora não se entrará por esse caminho...
Anteontem, um outro filme com o senhor Heston no papel principal. Foi um filme que me chamou a atenção desde início. Gosto da temática das utopias negras e "Soylent Green", ou "À beira do fim", de 1973, parecia ser o ideal para um serão em que as insónias batiam à porta. A narrativa inicia-se num cenário apocalíptico, com recolheres obrigatórios e um planeta, na segunda década do terceiro milénio, em que o calor nas ruas e a escassez de recursos transformavam o mundo num lugar hediondo. O filme tem uma estética muito 70's, com música funk intercalada, bem ao estilo de Shaft e dos seus congéneres. Heston, é um polícia que tenta desvendar um crime, cujo cerne estaria associado a um negro destino da humanidade. Depois, os já habituais clichés das utopias negras, tais como comida em barras, ausência de plantas, governos dirigistas, e escassez de produtos.
O que me desagradou essencialmente em "Soylent Green" foi a contrução da narrativa, com nítidas falhas lógicas. Polícias que investigam em locais obscuros sob pressão e têm todo o tempo do mundo para fazer o que quer que lhes dê na veneta; indivíduos que levam tiros no peito, sobrevivem e passado um minuto já correm velozmente, bem como um sem número de mágicas proezas com as quais o cinema americano tem o hábito de nos brindar. Para mais, o fim, que não conto por respeito ao leitor mais destemido, é daqueles que dá vontade de dizer: "O quê, tanta coisa para isto?"
Em suma, para mim "Soylent Green" é daqueles filmes que prende o espectador ao ecrã, pela sua temática interessante, deixando simultaneamente um amargo na boca a cada minuto que a narrativa se vai desvendando.
De qualquer forma, parabéns à RTP pelo esforço de transmitir filmes menos conhecidos das gerações mais jovens, porque, se sofrer de insónias já é mau, não ter como as ocupar seria bem pior...
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Quinta-feira, Abril 09, 2009
Che
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Sexta-feira, Abril 03, 2009
Audrey Hepburn
Na semana passada furtou-se cordialmente à progenitora o objecto ao lado, que inclui os títulos Breakfast at Tiffany's, Funny Face, Paris When It Sizzles, Roman Holiday, Sabrina e War & Peace.
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Quinta-feira, Março 26, 2009
Moderação de comentários e inevitabilidades
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Segunda-feira, Março 23, 2009
Bloggers e terrorismo sem causa...
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Quinta-feira, Março 19, 2009
Saturday Night and Sunday Morning
Ontem vi pela primeira vez este "Saturday Night and Sunday Morning".
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Segunda-feira, Março 16, 2009
Sábado, Março 07, 2009
Sobre Frost/Nixon
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Segunda-feira, Março 02, 2009
Como não ter insónias a um domingo à noite
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Sábado, Fevereiro 28, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009
Um certo odor fecal
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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009
Na televisão
Há dois dias, revisionamento do breve-arte que, como o nome indica, se expressa nisso mesmo. Banda sonora melosa e aqueles planos em câmara lenta indutivos de desconforto cerebral. E depois o actor, esse maravilhoso portento que tem a habilidade (ou dom, não sei como lhe chamar) de representar sempre o mesmo papel em todos os filmes em que entra. Grotesco, abominável, cómico de circunstância sem piada... 
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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
Pensamento superior, rasa biologia, ou "o oriente sempre fora muito à frente"?
"Sob a influência do teatro Kabuki Eisenstein começou a ver a montagem como uma actividade de fusão ou síntese mental, através da qual pensamentos particulares eram unificados a um nível de pensamento superior, e não como uma série de explosões no interior de um motor de combustão, opinião que antes tivera. Eisenstein estava fascinado pelo uso de convenções, máscaras e vestuário simbólico que caracteriza o teatro do Oriente. Começou a interessar-se pelas ideias dos japoneses sobre composição pictórica. Sob o sortilégio do Oriente, a montagem tornou-se difusa para Eisenstein. Por fim, o teatro japonês sugeriu ao cineasta o conceito de "conjunto monistíco" que cada vez mais começou a dominar o seu pensamento, vindo a culminar nos excessos wagnerianos de que enfermou a sua produção das Valkyrie. O modo como o som e o gesto funcionavam no teatro Kabuki fascinava-o; questão que, aliás, se tornou para ele cada vez mais crucial ao dar-se conta que o filme sonoro seria a forma do futuro. Mais uma vez, bastante dentro ainda da tradição de Meyerhold, reagiu com a ideia de que o filme sonoro significava a supremacia da palavra falada e procurou um modo diferente de combinar as componentes aural e visual do cinema. Eisenstein compreendeu que no teatro Kabuki a linha de um sentido não acompanhava simplesmente um outro, mas que ambos eram inteiramente intermutáveis, elementos inseparáveis de um conjunto monístico."
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