terça-feira, novembro 14, 2006

Marie Antoinette

Até ter ido ver este filme, o único que li sobre ele foram críticas negativas. Cannes porventura não o aceitou bem pelo mal que possa fazer ao ego francês... Mas penso sobretudo que isso se deve à urgência de comparar "Marie Antoinette" com "Lost in Translation", a obra prima da realizadora Sofia Coppola. É impossível tal comparação..., os jardins de Versailles nunca serão tão tocantes como os jardins orientais... e a angústia existencial de Marie nunca terá o mesmo impacto que a de Charlotte...

Marie Antoinette retrata a diferença entre a corte de Viena e a corte de Versailles e é deste binómio que se faz a primeira parte do filme. Uma miúda que vem de um ambiente aristocrático casual e encontra o mais elaborado e formalizado ambiente que era possível encontrar numa corte oitocentista.

Depois disso, Marie, toma as rédeas de Versailles de assalto e torna-se rainha, após a morte de Luis XV.

Em termos de biografia histórica, Coppola tenta, de certa forma, absolver Marie Antoinette das acusações que, ao longo do tempo, lhe têm sido imputadas, ou seja, ser ela a responsável pelo dealbar de uma era e pelo despoletar da revolução francesa... Vemos uma Marie Antoinette sensível, boémia e estravagante, mas sempre com uma parcela de humanismo efervescente.

O filme em si peca por alguns planos longos em que a abundância de cores, ao estilo rococó, cria um certo tédio na imagem.

Fora isso, é brilhante na transposição de ideias e modos de agir contemporâneos para uma época em que os mesmos não seriam usuais. Brilhante como se faz um filme urbano em Versailles.

O plano final é de uma simbologia atroz e deixa o espectador estarrecido e extasiado, pelo menos deixou-me a mim.

A banda sonora é magnífica e integra-se numa certa cultura pop que Sofia Coppola quis imprimir no filme. A cena das "All Star", sobre a qual tanta tinta escorreu, é menor no filme, significante, talvez, da puerilidade de Marie, ou das mudanças que queria imprimir na corte.

Enfim, um belo retrato histórico, com pormenores cinematográficos que só a sensibilidade feminina de Sofia Coppola nos poderia oferecer. Não é nenhuma obra prima, mas merece ser visto.

5 comentários:

Hugo Alves disse...

Não é, de facto, tão mau como o pintam. Mesmo assim, esperava algo melhor.

Ursdens disse...

De repente lembrei-me de "O Corvo".
"It can't rain all the time"...
:D

Senhora das Aguas disse...

Eu achei o filme uma quase obra prima, não o acho entediante, nem um bocadinho, só fiquei com pena de Sofia Coppola não ter filmado até á parte em que sao guilhotinados :))))

Lua Obscura disse...

Eu gostei, de facto as críticas ultrapassaram o limite, porque não é assim tão mau.

Ursdens disse...

Senhora das águas:

É curioso..., a minha mãe viu o filme e disse-me o mesmo: "é uma chatice, acaba antes de eles serem guilhotinados..."

Lá está, são gostos..., para mim o plano final do quarto em Versailles todo destruído é quase meio filme...

Ela foi guilhotinada, mas simbolicamente...

Lua:

Quanto às críticas é a tal coisa, às vezes são moda, às vezes são reacções irrefletidas, mas mesmo quando não o são, serão sempre subjectivas...