terça-feira, outubro 10, 2006

Ma mère

A primeira vez que vi este filme deve ter sido há já dois anos. Vi-o no cinema Monumental, pouco tempo depois de estrear em Lisboa, com uma amiga. A sala era por si já bastante pequena, o número de espectadores iniciais era à volta de vinte e, no final do filme, só cerca de dez permaneciam, dado que os outros foram saindo a meio, impressionados com algumas cenas e até com o argumento do filme, pesado digamos...

Eu próprio, ao sair do cinema, não conseguia dizer uma única palavra à minha amiga, nem ela a mim... Lembro-me que fomos a pé, desde o Saldanha até ao Bairro Alto, durante cerca de vinte, vinte cinco minutos, sem conseguir soletrar o que quer que fosse...

É, em primeiro lugar, um filme audaz, chocante, perturbador, perverso, interrogativo e até um pouco incómodo. Um filme amoral, parece-me, que não tenta valorizar, mas tão só descrever, mostrar, interrogar...

O argumento é soberbamente adaptado por Christophe Honoré de um romance de Georges Bataille e versa a história de cumplicidades entre um filho e uma mãe que, a princípio, mal se conheciam e, a final, acabariam por partilhar muito...

Louis Garrel interpreta Pierre, jovem que se inicia no despertar para a sexualidade, orientado e até incentivado pela sua mãe, Hélène (Isabelle Huppert). Desta relação vai surgir um despertar de recalcamentos, de pulsões escondidas e perigosas. O final é surpreendente, mas choca, na toada de todo o filme.

De Isabelle Huppert nada se pode dizer em qualquer circunstância. Está sempre bem, sempre melhor que os outros, sempre quase perfeita. Para mim a melhor actriz da actualidade, já desde há alguns anos. A melhor interpretação que lhe vi foi em "Malina" de Werner Schroeter, tem um dramatismo inato, é soberba...

Já Louis Garrel é uma confirmação absoluta! Esteve bem nos "Sonhadores" de Bertolucci, continuou em bom nível neste "Ma mère" e sedimentou a sua posição como uma das maiores esperanças da interpretação europeia em "Os amantes regulares", realizado pelo seu pai, Philippe Garrel.

Argumentos de peso para ver este filme, necessário no entanto um grande espírito de abertura e tendência para simplesmente observar, sem valorizar.

2 comentários:

Nat aka Psipsina disse...

Prometo que vou ver e depois digo o que achei.

Ursdens disse...

Combinadíssimo!
Mas atenção que o filme é mesmo um bocado chocante, não chega ao nível do "Salo ou os 120 dias de Sodoma", mas anda lá perto...