segunda-feira, outubro 16, 2006

O Piano

O meu filme preferido!

“O Piano” foi realizado por Jane Campion em 1993. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e o Óscar de melhor argumento original, entre outros.

Ada e a sua filha Flora viajam da Europa para a Nova Zelândia em meados do século XIX. À sua espera está Alisdair, com quem a primeira se irá casar e que nunca conheceu. O casamento é, por isso, um quase negócio, bem ao jeito dos costumes vitorianos. Ada é muda e transporta consigo um piano que se assume como a voz que não tem.

Chegadas à Nova Zelândia, Ada e Flora conhecem Baines, uma espécie “europeu novazelandizado” que vive com os indígenas e que, com eles, se entende às mil maravilhas.

Alisdair é materialista, quase chauvinista e não vê a ideia do piano com bons olhos. Logo arranja forma de o vender a Baines em troca de terras. Toda esta situação vai originar um aproximar entre Ada e Baines que gradualmente se vai transformando em algo mais…

As intepretações, excepcção feita à de Sam Neill, são brilhantes… Holly Hunter assina, aliás, aquilo que me parece ser o papel da sua carreira.

A banda sonora é nayf, simples e de pouca elaboração. Michael Nyman não poderia ter estado melhor na escolha das ambiências musicais do filme, até porque Ada é isso, é uma apaixonada por um piano, pela delicadeza dos sons, não uma musicóloga erudita…

O filme é, todo ele, um acervo quase impressionista, aliás, se observarmos as fotos frame a frame, retiramos um sem número de Renoir’s ou Monet’s enquadrados numa paisagem exótica, com um ambiente britânico-colonialista.

A primeira vez que vi O Piano fiquei imediatamente cativado, mas fui aprendendo a gostar cada vez mais do filme, quantas vezes o via. Existem uma série de pormenores fascinantes que fui descobrindo ao longo dos tempos:

-O plano da chávena, uma readaptação da ideia de Godard e Carol Reed, a introspecção no copo, na imagem reflectida, nos veios do líquido mexido… Um pormenor semiótico dos mais interessantes no cinema, até por constituir já um significante puramente cinematográfico, de uma linguagem que se vai construindo “per si”.

-A cena do casamento, em que Ada tira uma fotografia com Alisdair num cenário artificial, como se de um palco de tratasse, entre duas cortinas… Finda a foto, Ada corre para dentro de casa e, ajudada por outras mulheres, despe o vestido, quase rasgando-o, como se, ao terminar a sua actuação, recolhesse aos camarins e se livrasse do guarda-roupa…

-A pequena animação introduzida em alguns frames do filme, quando Flora conta a história da perda de voz da sua mãe. Um símbolo da fértil imaginação infantil…

Poderia continuar indefinidamente, mas não o faço para não maçar… Fica o registo do meu “filme dos filmes”, tão só…

1 comentário:

Lua Obscura disse...

É, sem dúvida, magnífico!!!