sábado, janeiro 05, 2008

"Control"em-me se não ainda me mato antes dos 25 que já não tenho...

"Control", de Anton Corbijn, é a muito falada biografia de Ian curtis, mítico vocalista dos Joy Division.


O tema é sempre interessante e a vontade de ir ver o filme foi alguma. Ian Curtis, para bem ou para mal, é um dos ícones de uma geração, poeta virtuoso de músicas simples mas tocantes...

Até aqui tudo bem... Mas logo depois..., entra-se na sala de cinema e vê-se aquilo que bem poderia ter sido um filme interessante, mas não passou de mais um filmezito... O pouco que se viu de Curtis em "24 hour party people" sintetiza biograficamente o que "Control" se vai esforçando por "parecer que detalha". É difícil adaptar uma biografia ao cinema, bem sei... Mais difícil ainda, tendo em conta que a vida de Curtis mora ainda num passado muito recente. Mas, ainda assim, sabe a muito pouco a falta de novidade que sentimos na película de Corbijn. Curtis é Deus, sê-lo-á em qualquer lado em que se fale de Deus, mas neste filme não passa de um Santo António ou de um Judas, desprezado e secundarizado no seu papel divino, fruto do desenrolar enfadonho da narrativa...

Não conhecia o trabalho de Corbijn como realizador, aliás, nunca tinha sequer ouvido falar na criatura. Dei-me a alguns trabalhos, no entanto, e fiquei a saber, via imdb, que o senhor, até "Control", apenas tinha realizado clips de música e concertos em dvd, ainda por cima, alguns, de qualidade duvidosa... Finda esta missão de reconhecimento, facilmente percebi que a má realização de "Control" não significava um autor em défice de inspiração, mas sim o oportunismo de um intruso cinematográfico.

Antes de ver "Control" tinha já lido algures uma crítica negativa ao mesmo, na qual se vincava a pretensa estupidez que existe na associação entre a morte de Curtis e o filme "Stroszek". Se é estupidez ou não, pouco me interessa, interessa-me mais que, em "Control", até esse pormenor foi descurado. Tinha, até agora, a ideia de que Curtis se teria suicidado logo após o visionamento do filme. No entanto, após ver "Control" e, salvo a invenção de uma nova linguagem cinematográfica capaz de conferir absloluta alienação ao universo temporal de um filme, não sei, ao certo, se Curtis viu "Stroszek" segundos antes de se matar, horas antes de se matar, ou até mesmo semanas antes de se matar... Para mais, tendo em conta que se trata de uma biografia, tal facto é, no mínimo, deprimente...

Fazendo as contas finais, "Control" é um filme muito medíocre, capaz até de "desdivinizar" Deus, revelando-se uma péssima escolha para quem, como eu, o escolheu para primeiro filme de 2008 em sala de cinema...

7 comentários:

José Quintela Soares disse...

Não, obrigado...

André Dias disse...

caro projector, podes enviar-me um email deste blogue? gostava de te enviar um programa de cinema... andré dias

wasted blues disse...

Correndo o risco de chocar meio mundo blogosféricó-cinéfiló, não fui ver nem me apetece...

Ursdens disse...

José e Wasted: Se não tiverem nenhum filme melhor para ver e não conhecerem a vida de Ian Curtis, aconselho-vos a ver o filme. Caso contrário, não perdem, de facto, nada...

André: Aqui segue o mail: projectordosotao@yahoo.com Obrigado!

Cumprimentos cinéfilos!

Anónimo disse...

Como é possível uma crítica tão destrutiva ao Control?!
Mas é apenas uma opinião. Somente a tua opinião. Não concordo.

Ursdens disse...

Claro que sim caríssimo anónimo...

As opiniões são todas válidas, desde que "devidamente fundamentadas e reflectidas"...

Cumprimentos cinéfilos!

Anónimo disse...

Loll.. axei piada a tais comentários sobre o filme!!Opiniões são opiniões e para mim, nada mais que o melhor de 2008! É um luxo!!!! Só um Corbijn que viveu perto a banda teria tal sensibilidade para retratar um Curtis tão verdadeiro!!!Parece-me um "Control" semelhante a uma "Historia simples" de David Lynch, com tão pouco se faz tanto!!Vejam de novo certamente que não se vão arrepender!!