Acabou-se o Imago!
Acabou-se o fim de semana e chegou ao fim mais uma edição do Imago. No domingo ainda houve tempo para as curtas vencedoras e para quem teve cabeça para as ir ver... Segunda feira, no entanto, tudo estava igual ao "antes"... A terrinha deixou de parecer cidade, os rostos que se viam eram os mesmos de sempre,... enfim, a rotina voltou ao normal...
Este ano aproveitei melhor o Imago que no ano anterior! Vi mais filmes, foi mais calmo... Devo dizer que não vi nenhuma sessão da competição internacional... Não gosto de curtas, acho-as interessantes para que jovens realizadores aprendam a fazer cinema, tão só... De resto, contar uma história em 5, 10, 15 ou 20 minutos parece-me uma tarefa irrealizável, restando apenas tempo e espaço para desenvolver uma ideia única...
Tenho pena de não ter ido ver "Inland Empire" no sábado, mas às três da tarde, depois de uma noite como a de sexta, seria sempre muito difícil...

Se o cinema Português dos últimos anos tem ganho novos espaços e novos públicos, muito por culpa de filmes como "Alice", "Adriana", "A Costa dos Murmúrios" ou "Coisa Ruim", apenas para referir alguns nomes, "Odete" é mais um belo exemplo de como levar gente ao cinema para ver histórias diferentes, pondo a sílaba tónica na qualidade fílmica, sem descurar, no entanto, o sucesso comercial.
A história de "Odete", perdida num emaranhado de pulsões e disfunções, acaba por conduzir a uma ideia simples, a ideia da busca do amor, da carência afectiva do ser humano, das fraquezas que se sentem perante a "perda" de alguém, seja esse alguém vivo ou ainda por nascer...
É muito bonita a fotografia em "Odete", bem como a banda sonora, sempre bem encaixada na narrativa. Sabe bem a revisita a "Breakfast at Tiffany's", com "Moon River" a fazer as delícias de qualquer cinéfilo.
Um único senão relativo ao desempenho dos actores. Ana Cristina Oliveira está quase sempre bem, o mesmo não se podendo dizer de Nuno Gil que, desde início, exceptuando raros momentos, encarna o personagem com doses excessivas de artificialidade...

Achei interessante o documentário, sobretudo por desvendar a história de uma banda com a qual cresci e sobre a qual pouco sabia... Lembro-me dos excêntricos Heróis do Mar e das suas incursões em programas de televisão da década de 80, lembro-me de "Amor" e "Paixão", mas não conhecia muito mais além disso...
Descobri uma banda com sérias preocupações estéticas e musicais, num Portugal fechado e "pequeno", talvez pequeno de mais para ideias tão arrojadas...
"Brava Dança" é mais um tributo à geração de 80 e à vontade de fazer muito onde existia muito pouco. Vale a pena ver e ouvir os "Heróis do Mar", lembrar o Portugal que tivémos e constatar os esforços que se fizeram para alcançar o Portugal de hoje!