Um possível roteiro pelo cinema asiático
O objectivo deste roteiro é apenas dar uma ideia do que se faz pelo oriente, e ,como é óbvio, não está isento do meu gosto pessoal. É pois provável que não vejam aqui referidos os grandes nomes do terror japonês nem do cinema de acção e artes marciais. Ficará também patente que, pelo facto de conhecer melhor a sua obra, há países sobre os quais me sinto mais à vontade de falar do que outros, havendo alguns sobre os quais irei debruçar-me sobre os clássicos enquanto que noutros casos apenas falarei ao de leve sobre o cinema actual. Dizer ainda que o objectivo não é criticar nem informar sobre os filmes em si, mas apenas indicar um possível percurso... Em todo o caso penso que será um bom ponto de partida para quem não conhece o cinema oriental... Só uma última nota: tendo em conta que não conheço o nome de todos os filmes em portugês, e que na língua original não passarão de sons sem sentido, vou optar por usar sempre o nome em inglês...
O cinema chinês mais recente (1980 - ) tem um cunho pessoal que o distingue do resto do cinema asiático, não fosse a China uma ditadura opressiva. Deste modo, as condições políticas, mesmo não estando assumidas nos filmes, são indissociáveis do produto final, visto certos temas serem tabu, enfrentando os realizadores a possibilidade de serem perseguidos pelo sistema caso aflorem certos temas mais problemáticos. Em todo o caso, eu penso que ao longo do tempo os criadores chineses têm conseguido produzir obras geniais mesmo nestas condições, sendo disso exemplo a obra de Chen Kaige e Zhang Yimou, designados como os mestres da quinta escola ou, mais recentemente, Jia Zhang Ke, a figura de proa do novo chinema chinês.Começando pelo primeiro há dois filmes obrigatórios: "Yellow Earth", uma viagem à China profunda dos tempos da grande marcha, e
"Farewell My Concubine", para mim um dos filmes mais perfeitos de todos os tempos. Em relação a Zhang Yimou, apesar de se ter tornado mais conhecido pelos últimos filmes de artes marciais("House of Flying Daggers" e "Hero"), a sua obra vai muito mais além, sendo isso visível em "Not One Less" e no magnífico "Raise the Red Lantern". Por fim falta falar de Jia Zhang Ke,recentemente premiado em Veneza por "Still Life", o qual apresenta uma obra na totalidade muito boa ("Pickpocket" ;"Platform" ;"Unknown Pleasures" e "The World") com um fio condutor comum: a inadaptabilidade da sociedade chinesa ao advento do capitalismo.


O cinema japonês é talvez aquele que mais tem chegado aos nossos ecrãs e provavelmente o que o espectador ocidental melhor conhece...Em relação aos marcos históricos, existem, pelo menos, três nomes a reter: Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi e principalmente Akira Kurosawa. O primeiro, cuja obra é um reflexo da sociedade dos anos 50 e 60 e reflecte todas as mudanças operadas na altura, possui na sua parte formal uma característica única no cinema mundial, que é o facto de todos os planos serem captados de baixo para cima, o que, tendo em conta que um japonês que vivesse nessa altura passaria bastante tempo a olhar o mundo dessa posição, tem algum sentido. Em relação à sua obra aqui ficam duas propostas "The End of Summer" e o seu mais aclamado filme, "Tokyo Story". Ao contrário de Ozu, a obra de Mizoguchi está longe de ser contemporânea, recaindo principalmente sobre a história do Japão, sendo os seus filmes mais conhecidos "Tales of a Pale and Mysterious Moon After the Rain" e "Diary of Oharu". Também Kurosawa optou por se



A Coreia do Sul é talvez, de todos os países asiáticos, aquele em que se deu um maior "boom" criativo nos últimos tempos. Por entre a imensa panóplia de filmes interessantes dois realizadores foram ganhando destaque, Kim Ki-duk ,autor de filmes como "3-Iron", o belíssimo "Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring" ou "The Isle", e Park Chan-wook com a sua trilogia sobre a vingança, "Sympathy for Mr. Vengeance", "Old Boy" e "Sympathy for Lady Vengeance". Outros filmes que também merecem ressalva são "Oasis" de Lee Chang-dong e a comédia romântica "My Sassy Girl" de Kwak Jae-young, um filme bastante diferente do estereótipo associado ao género..

Em relação a Taiwan três nomes saltam à vista: Hou Hsiao Hsien com filmes como "A City of Sadness", "The Puppetmaster" e "Millennium Mambo", Edward Yang com "Yi Yi" ou "A Brighter Summer Day" e, apesar de nascido na Malásia, mas há muito radicado em Taiwan, Tsai Ming-liang, um realizador com um universo muito peculiar. Adepto do plano fixo e de um ritmo muito lento, não deixa por isso de ter produzido alguns filmes bastante marcantes tais como "The Hole", "Vive L'amour" ou o meu favorito "Rebels of the Neon God".
De Hong Kong vem um dos maiores nomes do novo cinema asiático: Wong Kar Wai. A sua obra possui alguns dos filmes mais belos e sensuais realizados nos últimos anos: "In The Mood For Love" e "2046" são filmes obrigatórios e "Fallen Angels" ou "Chungking Express" possuem também o toque muito único do realizador o que os transforma em obras a não perder.
Referir ainda o vietnamita radicado em França, Tran Anh Hung, cuja obra ("L'Odeur de la papaye verte", "Cyclo" e "Vertical Ray of the Sun") é um bom exemplo da capacidade de cruzamento entre Ocidente e Ásia e tem sido premiada por toda a Europa.
3 comentários:
Sempre preferi o japonês: Mizoguchi, Kurosawa e, claro, o mestre da animação japonesa, Miyazaki que faz parte do meu imaginário juvenil.
Faço minhas as palavras do Rubens. Bom artigo, sim senhor! Sintético, mas muito objectivo!
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Ran Movie Review
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