segunda-feira, dezembro 24, 2007

Hino à época da estupidificação!

Este Natal, para lá de me propor comer, pelo menos, três pudins de ovos e uma lampreia, penso também ver os três Senhores dos anéis, as seis Guerras das estrelas e o música no coração! Se o conseguir é bom sinal, quer dizer que este foi mais um Natal igual aos outros todos, cheio de novidades... De qualquer forma, é bom que assim seja! Os "lugares comuns" dão-nos sempre aquele afago especial! Aliás, acrescente-se o Ben Hur e a Mary Poppins, assim cheira mais a infância e menos a adolescência! É isso que o Natal é, um sopro de infantilidade da memória! Viva os filmes do Natal, as amplas gargalhadas e o convívio com as pessoas de que gostamos! "May the force be with us"!

quinta-feira, novembro 15, 2007

Só houve tempo para uma foto...


terça-feira, outubro 09, 2007

Acabou-se o Imago!

Acabou-se o fim de semana e chegou ao fim mais uma edição do Imago. No domingo ainda houve tempo para as curtas vencedoras e para quem teve cabeça para as ir ver... Segunda feira, no entanto, tudo estava igual ao "antes"... A terrinha deixou de parecer cidade, os rostos que se viam eram os mesmos de sempre,... enfim, a rotina voltou ao normal...

Este ano aproveitei melhor o Imago que no ano anterior! Vi mais filmes, foi mais calmo... Devo dizer que não vi nenhuma sessão da competição internacional... Não gosto de curtas, acho-as interessantes para que jovens realizadores aprendam a fazer cinema, tão só... De resto, contar uma história em 5, 10, 15 ou 20 minutos parece-me uma tarefa irrealizável, restando apenas tempo e espaço para desenvolver uma ideia única...

Tenho pena de não ter ido ver "Inland Empire" no sábado, mas às três da tarde, depois de uma noite como a de sexta, seria sempre muito difícil...

De resto, na quarta feira afastei-me da secção "Stop Making Sense" para ver um "FILME"! Uma revisita a "Odete" de João Pedro Rodrigues.

Se o cinema Português dos últimos anos tem ganho novos espaços e novos públicos, muito por culpa de filmes como "Alice", "Adriana", "A Costa dos Murmúrios" ou "Coisa Ruim", apenas para referir alguns nomes, "Odete" é mais um belo exemplo de como levar gente ao cinema para ver histórias diferentes, pondo a sílaba tónica na qualidade fílmica, sem descurar, no entanto, o sucesso comercial.

A história de "Odete", perdida num emaranhado de pulsões e disfunções, acaba por conduzir a uma ideia simples, a ideia da busca do amor, da carência afectiva do ser humano, das fraquezas que se sentem perante a "perda" de alguém, seja esse alguém vivo ou ainda por nascer...

É muito bonita a fotografia em "Odete", bem como a banda sonora, sempre bem encaixada na narrativa. Sabe bem a revisita a "Breakfast at Tiffany's", com "Moon River" a fazer as delícias de qualquer cinéfilo.

Um único senão relativo ao desempenho dos actores. Ana Cristina Oliveira está quase sempre bem, o mesmo não se podendo dizer de Nuno Gil que, desde início, exceptuando raros momentos, encarna o personagem com doses excessivas de artificialidade...

Quinta feira vi o meu último filme desta edição do Imago. Voltei à secção "Stop Making Sense" para assistir à projecção de "Brava Dança", o documentário sobre os "Heróis do Mar".

Achei interessante o documentário, sobretudo por desvendar a história de uma banda com a qual cresci e sobre a qual pouco sabia... Lembro-me dos excêntricos Heróis do Mar e das suas incursões em programas de televisão da década de 80, lembro-me de "Amor" e "Paixão", mas não conhecia muito mais além disso...

Descobri uma banda com sérias preocupações estéticas e musicais, num Portugal fechado e "pequeno", talvez pequeno de mais para ideias tão arrojadas...

"Brava Dança" é mais um tributo à geração de 80 e à vontade de fazer muito onde existia muito pouco. Vale a pena ver e ouvir os "Heróis do Mar", lembrar o Portugal que tivémos e constatar os esforços que se fizeram para alcançar o Portugal de hoje!

quarta-feira, outubro 03, 2007

"Stop making sense"

Durante estes dias de Imago tenho aproveitado a secção "Stop making sense", com vários documentários a rodar no "Delta open space" e direito a entrada gratuita.
Na segunda feira vi o filme "Glastonbury" de Julien Temple. O filme é um documentário acerca do festival sobejamente conhecido no Reino Unido e por esse mundo fora. Cruzam-se imagens dos primeiros anos do festival com outras mais recentes, na tentativa de explorar aquilo que, tendo começado como um acontecimento "hippie", gradualmente se foi transformando num fenómeno de massas, com todas as vicissitudes comerciais que, a isso, estão adstritas.

De imediato estabeleci um paralelismo entre este filme e outro que já tinha visto há algum tempo, "Woodstock, 3 days of peace & music", realizado por Michael Wadleigh em 1970. Desse paralelismo resulta uma apreciação aplicável a ambos: São filmes chatos, repetitivos, de enredo circular... Uma hora de cortes e a coisa até poderia ser agradável e evitar o bocejo...

Ontem voltei ao "Delta open space" para ver "American Hardcore The History of American Punk Rock 1980-1986". Apesar de não me rever no fenómeno descrito no documentário, devo dizer que foi o melhor que vi até agora neste Imago 2007.
O filme conta a história do "hardcore" americano, das suas raízes, dos seus fundamentos... Com uma estrutura documental, aborda-se a América do recém eleito Regan, uma América voltada para um passado superficial, apostada em retornar a moldes hegemónicos dos anos 50, cheia de futilidades e homogeneizada por ideias nacionalistas e conservadoras. Neste clima de amorfismo, surgem uma série de indivíduos verdadeiramente anarcas e intransigentes, para os quais as regras não existiam, vivendo sem objectivos muito claros, a não ser a assunção de um grito de revolta, contra tudo e contra todos...

O resultado é a criação de um movimento baseado, pura e simplesmente, na adrenalina! Os "punk rockers" americanos detestavam os Sex Pistols e tudo o que tivesse origem em atitudes, para eles, decadentes. Apelidavam Sid Vicious de "junkie" e perconizavam um estilo de vida "straight edge", com abstinência de drogas, alcóol e sexo casual, apimentado, aqui e ali, com laivos de violência gratuita...

Apesar de ser muito difícil a qualquer pessoa do mundo de hoje identificar-se com estes valores, é sempre interessante conhecer a história de um movimento deste género, bem como as causas que o originaram. Por estas razões, "American Hardcore" é um filme a não perder para qualquer pessoa que se interesse por música e pelo conhecimento de fenómenos "underground".

domingo, setembro 30, 2007

Mais uma vez..., o IMAGO!

Começou ontem o Imago, festival multidisciplinar de cinema e música que vai trazendo ar fresco à primeira semana de Outubro na cidade do Fundão. É fenomenal como se pode organizar, numa cidade de província, um evento que não ficaria nada mal se fosse feito numa qualquer capital europeia. Desde já os meus parabéns aos organizadores!

O festival não foge aos seus moldes habituais, caracterizados por inúmeros filmes e curtas em rodagem permanente, bem como alguns dj set's, live acts e concertos para ouvir pela noite dentro. Novidade, apenas o facto de a Moagem estar, nesta edição do Imago, a funcionar a 100%, dotando o festival de mais e melhores infraestruturas.

Este ano a minha disponibilidade noctívaga não é a mesma de anos anteriores, facto pelo qual me decidi a aproveitar os filmes, deixando a música para o último fim de semana.

Ontem, uma vez que não gosto de cerimónias de abertura e, especialmente, fujo a sete pés de qualquer mostra cinematográfica que tenha o nome de Andy Warhol associado, decidi ver o filme "Loud Quiet Loud", um documentário sobre os Pixies.

Dizer, em primeiro lugar, que os Pixies são, acima de tudo, uma banda muito especial para qualquer amante da música alternativa. Não falo de qualidade musical, mas sim de uma ambiência adolescente que, para quem viveu certas e determinadas coisas, será um lugar comum até ao fim da vida!
O documentário em si é fraco, devo dizê-lo... Como o título o "poderia" sugerir, centra-se na ideia de uma banda que nasceu, morreu e voltou a renascer. Neste âmbito, todo o enredo gira à volta de um conceito comercial, o de vender a imagem dos Pixies como produto do passado, projectando-a no presente e no futuro e abrindo portas para um possível novo álbum.
É, no entanto, um documento essencial para alguém que goste dos Pixies. Mostra-nos os Pixies de agora, "gordos e feios", anteriormente destruídos pelo alcóol e pelas drogas, tentando um caminho na sobriedade, com família, com filhos, com projectos futuros... Esta ideia de que a indústria musical cria fenómenos e depois os destrói não é nova... Ainda há pouco tempo li uma entrevista de Jonh Lydon dos Sex Pistols, em que o mesmo dizia ter sido isso que aconteceu a Sid Vicious...

De resto, "Loud Quiet Loud" é o pretexto ideal para ouvir e cantarolar mentalmente "Hey", "Monkey gone to heaven", "Gouge away" ou "Where is my mind", entre muitos outros temas! Só por isso já terá valido a pena este primeiro dia de Imago.

terça-feira, setembro 04, 2007

Descubram-se as diferenças...



Descobri, na fnac, estas duas novas edições atribuídas a Ingmar Bergman, às quais se juntam outros dois títulos, cujo nome não me recordo agora.
De imediato comprei os dois filmes, não tendo adquirido os restantes por défice orçamental (típico deste período do ano...).
Apenas um senão no que à edição diz respeito...
Enquanto que "Segredos de mulheres" e os restantes dois filmes desta colecção são realmente realizados e escritos por Bergman, no que toca a "Eva" apenas o argumento é do "filho do pastor protestante", sendo que a realização é de um tal de Gustaf Molander (facto descoberto com a leitura dos créditos na contracapa do dvd e cujas letras medem cerca de um milímetro de altura...), até então desconhecido para mim...
É triste que se tente vender gato por lebre... À semelhança do que por aí acontece vezes sem conta (recorde-se o caso de "Hostel" que, apesar de apenas ter sido produzido por Tarantino, foi descaradamente colado à sua imagem), desta vez é com a obra de Bergman que se vai brincado... Não me admiraria nada que "The best intentions", filme premiado com a palma de ouro em cannes, realizado pelo aclamado Bille August e cujo argumento é também da autoria de Bergman, viesse a sair numa qualquer edição dedicada ao cinema de Ingmar...
Fiquem prevenidos... Não façam como eu, quando comprarem lebre vejam se não vos dão gato...

segunda-feira, agosto 06, 2007

Comícios festa!

Deparei-me há pouco com este vídeo, que ainda não conhecia, e cujo desiderato terei que, a breve prazo, averiguar...
De qualquer das formas deixo-o para que o possam ver. Afinal de contas, a criatividade do amigo Fiúza é sempre de louvar!
Comícios festa?!? Vem aí alguma revolução? eheh! Venha ela!

quarta-feira, agosto 01, 2007

Antonioni

E vai mais outro, para infelicidade dos cinéfilos...

Li uma vez uma entrevista de Antonioni em que o mesmo dizia ter escolhido a profissão de realizador de cinema para ganhar muito dinheiro e ter uma vida agradável. Ora ainda bem que a escolheu e ainda bem que ganhou menos dinheiro do que aquele que inicialmente pensaria e ainda bem que nunca se vendeu aos estúdios, mesmo na incursão pelo cinema americano...

Já falava o poeta daqueles que se vão, da lei da morte, libertando...

Antonioni é um desses!

terça-feira, julho 31, 2007

Repasto de Verão interrompido pela morte de alguém que é eterno...

Poucas coisas poderiam interromper o período sabático que decretei a mim mesmo relativamente a este blog... O Verão continua aí, dilacerando qualquer tentativa de construção intelectual, fruto de um calor insustentável...

Morreu Ingmar Bergman, dizia ontem o rodapé do telejornal... Fiquei triste, muito triste...












O primeiro filme que vi deste realizador foi "Fanny and Alexander" e a partir daí não mais parei, apenas me tendo escapado uma ou outra obra, cuja possibilidade de visionamento é extremamente difícil...

Bergman é o cineasta das questões últimas, muito diferente de qualquer outro realizador da sua gerãção. O seu cinema não é a "arte que está em voga", não é a criação de ideias novas e impertinentes, não é a explanação de temas subversivos... Os seus filmes são capítulos de um tratado filosófico ao qual dedicou a vida e a carreira! Seja a velhice, sejam as relações entre pais e filhos, seja a morte (que tanto o perturbava), seja a religião, o medo, ou uma peculiar visão das mulheres, em Bergman chegamos sempre ao fundo (possível) das questões...

Ingmar Bergman era o "filho do pastor prostestante", um homem criado num ambiente de dogmatismo religioso, do qual sempre teve dificuldade em se libertar. Talvez por isso o seu cinema não tenha sido tão "contemporâneo" como o dos seus pares (excepcionando-se "Persona" e os primeiros instantes de "Morangos Silvestres"). Ainda assim, a actualidade de Bergman é premente e a sua obra intemporal!

Do ponto de vista, estritamente cinematográfico, Bergman não fica atrás de nenhum realizador contemporâneo, antes pelo contrário! Os seus planos são, via de regra, longos, acompanhados de uma, clássica, montagem lenta, cheia de travellings e planos sequência. A pefeição na "mise en scène" é admirável! (não me lembro de ver um único plano de Bergman desequilibrado, ainda que o plano durasse 5 minutos e fosse percorrendo vários espaços...) A fotografia era sempre magnífica, com um aproveitamento invulgar da luz! Verdade seja dita, a colaboração do, também falecido há pouco tempo, Sven Nykvist, em muito ajudou a obra de Bergman, mas nenhum génio existe por si só...

Haverá muitos realizadores que têm uma ou duas obras primas, um ou outro filme mais marcante. Em Bergman é difícil encontrar obras primas, até porque todos os seus filmes marcam de certa forma...

Temos o Bergman de "Mónica e o desejo", da análise da mulher sob o ponto de vista masculino, com as suas fraquezas e futilidades; o Bergman de "O Sétimo Selo", com a exploração da morte nos seus mais variados quadrantes; o Bergman de "Lágrimas e Suspiros" e aquela "pietá" de uma intensidade atroz; o Bergman de "Cenas da Vida Conjugal" e o maior tratado sociológico sobre as relações contemporâneas; o Bergman de "A Vida das Marionetas" e do submundo da psique; o Bergman de "O Silêncio", de "Em Busca da Verdade", de "Skammen", de "Sonata de Outono", de "A Fonte da Virgem", O Ingmar Bergman de "Saraband"!

Lembro-me, por exemplo, de ver "Em Busca da Verdade" na videoteca de Lisboa, há três ou quatro anos... Fui com o meu amigo Pedro, neste blog cognominado "Peter Killer". Ficámos numa televisão pavorosa, com aqueles fones horríveis que parecem esfaquear os tímpanos a cada segundo que passa do filme e com um "caroxo" no televisor do lado a rir à gargalhada com um filme americanóide de comédia parva. E nem assim..., nem assim conseguimos desviar a atenção do filme por um minuto que fosse...

O último filme de Ingmar Bergman que vi no cinema foi o portentoso "Saraband"! Recordo-me de sair da sala do Alvaláxia num estado de perturbação atroz, incapaz de dizer uma única palavra aos amigos que me acompanharam e incapazes, também eles, de qualquer tipo de comunicação nos minutos que se sucederam ao final do filme... Penso que, em "Saraband", Bergman fecha a sua obra de uma forma singular... Cada capítulo do filme é uma abordagem de um tema característico do seu pensamento e do seu legado, cada pedaço de imagem é uma retrospectiva de todos os assuntos que marcaram a sua carreira... Está de parabéns Ingmar, por ter conseguido finalizar a sua obra com chave de ouro!

Durante esta semana vou ver um dos últimos filmes que me escaparam na obra de Bergman, "A Hora do Lobo", e tentar descolar os olhos do ecrã, a final do filme, com aquela sensação catártica à qual é impossível escapar sempre que se roda um filme deste realizador.

É isto que fica da obra de Ingmar, a intensidade insuperável dos seus filmes, a actualidade invulgar dos seus temas, e o sentimento de perturbação e psicanálise que percorre a alma de quem quer que o visione!

Muito obrigado!

domingo, julho 15, 2007

Intermission

O calor mói a cabeça, o verão amolece o espírito e este blog encontra-se, pela parte que me toca, temporariamente encerrado...
Quando vier o fresquinho cá voltarei!
Cumprimentos cinéfilos!

segunda-feira, junho 18, 2007

Edmund-Doinel

Onze anos separam Edmund de Doinel. Onze anos em que se esbate o neo-realismo e surgem os primeiros ecos da nouvelle-vague. Em Edmund vemos a guerra, o desolo, o desespero... Em Doinel vemos outras guerras e as mesmas catástrofes...

O cinema espelha os tempos e mimetiza a actualidade... Meninos descalços de amor, vestidos de trabalho, "não-vidas" mascaradas de pequenas alegrias...

O neo-realismo em Truffaut é evidente, tão evidente como a nouvelle vague seria impossível no pós-guerra...

A final, uma caminhada..., em Doinel rumo ao sonho, em Edmund rumo à morte... Como se o novo cinema criasse novos caminhos sob os mesmos espectros...

Tão parecidos que são estes meninos, tão parecidas as histórias de quem sofre por fome de pão e de quem sofre por fome de afecto..., uma diferença apenas, a fome de pão não permite sequer o sonho..., daí as inevitabilidades, daí a música, daí a montagem rápida, daí o advento de "novos-cinemas"...

quinta-feira, maio 31, 2007

Efeméride...

1 ano de Projector do Sótão!

:D

sexta-feira, maio 25, 2007

Kiarostami, esse ilustre desconhecido...

Anteontem estava a ver na televisão aquele concurso das perguntas com o apresentador virtuoso e que tem a mania que é engraçado...

O concorrente principal (tinha sérias parecenças com o personagem "Trunks" da série de desenhos animados "Sangoku") viu-se deparado com a seguinte pergunta:

"Onde nasceu Abbas Kiarostami, realizador de "Através das Oliveiras" e "O Sabor da Cereja"?"

A pergunta tinha como respostas possíveis Tunísia, Iraque e Irão.

O concorrente, de imediato, formulou uma série de raciocínios:

-"Kiarostami é um nome de origem italiana";

-"As oliveiras são típicas do mediterrâneo (a este raciocínio o apresentador respondeu serem as cerejas típicas da Cova da Beira)".

Escusado será dizer que, com todo este processo mental, o concorrente lá conseguiu falhar, indicando a Tunísia como resposta correcta, sendo certo que, deste modo, o apresentador virtuoso e engraçado não teve que passar por uma vergonha tão grande por "nunca ter ouvido falar de Kiarostami"...

segunda-feira, maio 21, 2007

3º Festival de Cinema da Covilhã - O Capítulo Final (ou a constatação da existência do evento)

No último dia do Festival de cinema da Covilhã, lá consegui ver filmes (logo três)!

Devo dizer que não ocorreram, nesse dia, problemas de maior e que, feitas as contas finais, com maior divulgação, o evento teria sido de uma utilidade e importância extraordinárias, numa zona do país em que o cinema independente é repetidamente votado ao ostracismo...

Comecei a minha incursão no festival com a sessão das 18:00h e com um filme que já tinha visto e não me importo de rever quantas vezes forem... Estou a falar de "Play Time", realizado por Jacques Tati em 1967.

Tati, na minha opinião, pode ser analisado em dois quadrantes distintos.

Se, por um lado, o seu cinema é carregado de uma geometria perfeita no que diz respeito à composição dos planos, conferindo qualidade estética aos seus filmes; por outro, é o cineasta da comédia requintada. Fazendo uso da profundidade de campo e de alguns planos sequência, Tati consegue sempre mostrar pormenores preciosos. E não é um, nem dois, são muitos!

Lembro-me de ficar maravilhado quando vi "Mash" de Robert Altman pela primeira vez! Lembro-me de pensar para mim mesmo: "Incluir, num mesmo plano, várias situações simultâneas, com conversas simultâneas, é brilhante!"

Ora, Tati faz isto e muito mais! É genial!

Genial é também a personagem de Monsieur Hulot, interpretada pelo próprio Tati, neste, como em outros filmes. Incrível como, por vezes, Tati faz cinema mudo e a cores! Bem haja!

De resto, relativamente a "Play time", dizer apenas que este filme é uma dura crítica às sociedades cibernéticas e à globalização, muito embora, visto pelos olhos de um indivíduo do terceiro milénio, possa cheirar um pouco a "Velho-Restelismo"...

Acabada a sessão das 18:00h e descontado o intervalo para jantar, às 21:30 estava de novo no Teatro-Cine da Covilhã, desta feita para ver "Nuvem" de Gregor Schnitzler, realizado em 2006.

Confesso que quando li a sinopse do filme não me agradou muito a ideia de o ver e não o teria visto caso a sessão fosse à meia noite. No entanto, e uma vez que queria ver "Flirt" às 24:00h, decidi correr o risco.

O filme passa-se na Alemanha e tem como cenário um incidente numa central nuclear. A história centra-se no amor à primeira vista entre dois jovens, minutos antes do acidente.

Nada de novo aparentemente... Ou seja, quais os limites que um "click" nos pode impor e quais os esforços que podemos estar dispostos a fazer por um amor relativamente ao qual não temos provas, a não ser as que sentimos.

A primeira parte do filme está muito bem feita. A segunda metade está recheada de "clichés" e "lamechices", facto pelo qual não me agradou tanto.

O filme tem uma estética contemporânea, atestada pelo uso frequente da câmara em mão e, no enquadramento e sistematização do Festival, fez sentido a sua exibição antes de "Flirt".

Uma prespectiva ingénua do amor, que não deixa, apesar de tudo, de ser bonita e interessante.

Dizer ainda que o filme se pauta por uma certa dose de intervenção no que diz respeito à utilização de energia nuclear e aos acidentes que a mesma pode provocar.

O último filme deste dia de festival foi "Flirt", realizado por Hal Hartley em 1995.

Se, em "Nuvem", vimos o amor retratado de uma forma ingénua, em "Flirt" vemos exactamente o contrário, ou seja, uma prespectiva adulta e madura acerca das possibilidades de compromisso e dos medos que a essas possibilidades sempre estão adstritos.

Flirt é um tríptico composto por histórias sobre relacionamentos, dúvidas, apostas mal feitas, medos invariáveis, traições e compromissos.

A primeira história passa-se na América, a segunda na Alemanha e a terceira no Japão.

As histórias repetem-se, sendo que as duas primeiras são exactamente iguais, apenas mudando o cenário de fundo e a orientação sexual dos personagens.

Hartley constói uma equação. Um casal em que um dos personagens tem um caso com outro/a e em que esse outro/a também tem um relacionamento.

A última história, ligeiramente diferente das duas primeiras é, talvez, o decifrar da incógnita presente na equação e também o trecho do filme mais cuidado de um ponto de vista cinematográfico.

Passo a explicar. Hartley conta-nos histórias sobre o medo de assumir um compromisso, seja numa relação estável, seja num simples "flirt". No final dá-nos a entender que onde quer que exista medo o compromisso será sempre inviável.

É bonito o plano final e interessante do ponto de vista da significação. Curiosa aquela frase onde se pode ler "True Flirt"... E mais não digo, vejam o filme se puderem.

Para concluir, embora este filme seja um tanto ou quanto "freak" de um ponto de vista formal, vale bem a pena pela profundidade em que são explorados os personagens e pela densidade dos temas tratados.

sexta-feira, maio 18, 2007

3º Festival de Cinema da Covilhã - A sequela (ou como é gasto o dinheiro do erário público...)

Continuando a temática que tem vindo a preencher o conteúdo deste blog, apetece-me, por razões que explicarei, falar novamente do Festival de Cinema da Covilhã.

Ontem, por volta das 19:30h, e na esperança de poder ver "A Saudade de Veronica Voss" de Fassbinder, lá peguei eu no carro para fazer os 19km que separam o Fundão da Covilhã.

Uma vez que a projecção do filme estava anunciada para a "Cinubiteca da Universidade da Beira Interior" às 21:30h, chegado à Covilhã, estacionei o carro cá em baixo, junto do mais antigo pólo da U.B.I., na esperança de aí recolher informações sobre o dito espaço...

Fui tentando entrar no edifício, muito embora todas as portas que tentei empurrar estivessem fechadas...

Quinhentos metros à frente do sítio onde estacionei o carro, lá encontrei a porta da biblioteca aberta, pelo que entrei e perguntei ao empregado onde ficava a cinubiteca. Devo dizer que o senhor até foi prestável... "Vá por aqui sempre em frente, depois corta à direita, sobe umas escadas e vai dar à parada. Na parada deve encontrar gente e lá dizem-lhe melhor onde é..."

Cumprindo as indicações que me foram dadas, lá fui eu sempre em frente, virei à direita, subi umas escadas, e encontrei, de facto, um pátio que, em tudo, se assemelhava à descrição que me fora feita da parada... Com um único problema..., no percurso que fiz não vi vivalma... Ou seja, andei por um labirinto de corredores indefinidamente, sem ver ninguém e sem quaisquer indicações de onde ficava a Cinubiteca...

Sem baixar os braços, enveredei pelo meio do labirinto, até que encontrei uma porta onde se podia ver o seguinte aviso, que não pude deixar de fotografar com o telemóvel...
Fiquei, primeiro azul, depois um pouco arroxeado, até que por fim o meu semblante mais parecia da cor de uma viçosa folha de árvore... Perdido no meio de um labirinto deserto e sem saber sequer onde ficava a saída...

O resto da hitória é fácil de contar..., vinte minutos passados lá encontrei um segurança que me fez o favor de abrir uma porta sob pena de poder ter um ataque de claustrofobia a qualquer momento...

Ou seja, cheguei à U.B.I. por volta das 19:50h e saí de lá às 20:30h com o contentamento que se adivinha pela situação relatada...

Mas a minha querela não fica por aqui... Amanhã volto e, caso não haja filme, prometo escrever mais qualquer coisa...

quarta-feira, maio 16, 2007

3º Festival de Cinema da Covilhã (ou como é dificil aceder à cultura no interior...)

Na terça feira decidi procurar no google o cartaz de cinema do multiplex do Covilhã Shopping. Insiro as palavras chave "cinema + covilhã" e aparecem-me uma série de resultados.

Eis que, para minha surpresa, num dos resultados aparecem referências a um tal "Festival de Cinema da Covilhã". De imediato, carrego nesse link e chego à conclusão que o Festival decorre de 11 a 19 de Maio. Continuando as minhas pesquisas concluo que haveria um ciclo dedicado a Fassbinder e que seriam exibidos filmes como "Body Rice", "Transe", "Dans Paris", "Last Days", "Volver", "Grbavica", entre muitos outros...

Aqui começou a minha odisseia, mas por aqui não se ficou... Tentei pesquisar a existência de um site do Festival e népias...; tentei procurar no google "Festival de cinema da Covilhã" + "programa" e népias...; tentei, tentei, tentei... e népias...

Em conversa com o meu pai durante o almoço falei-lhe da questão e ele disse-me para ir ao Serra Shopping porque tinha a impressão de ter lá visto panfletos do dito festival.

Hoje, quarta feira, lá vou eu ao multiplex aqui da zona em busca de um programa... Perto das bilheteiras vejo uns pequenos livros do Festival. Tiro um, compro um gelado, vou para a esplanada e começo a folhear o livro.

Devo dizer que o livro até estava bem feito, mencionando todos os filmes que estariam em exibição no Festival e apresentando um pequeno texto sobre cada um deles. O único problema é que não existiam referências a horários e locais de exibição dos filmes...

Escusado será dizer que fiquei fulo!..., mas, ainda assim, dirigi-me às bilheteiras do multiplex para pedir esclarecimentos: -"Boa tarde! Olhe, eu vi aqui este livrete sobre o Festival de Cinema da Covilhã e não consigo encontrar horários nem locais de exibição dos filmes... Não me sabe dizer onde posso ter acesso a essas informações?" (disse eu) Ao que, de imediato, me respondeu a senhora das bilheteiras: - "Aqui no Serra Shopping só há as sessões para as crianças, que decorrem todos os dias às dez da manhã, mas eu já telefono à gerente..."

Aguardei o telefonema, a seguir ao qual me foi dito: - "Olhe que os horários estão todos nesse livrinho!" E lá começa a senhora a procurar os ditos horários...

Resultado: não havia horários nenhuns, nem locais de exibição!

Cansado, mas sem desistir, lá peguei eu no carro e fui ao Teatro Cine da Covilhã. Entro, vejo de novo o mesmo livrinho que estava no Serra Shopping e começo a desesperar... Até reparar que, ao lado, bem escondido, estava um pequeno flyer com a capa igual à do livro, esse sim contendo os horários e os locais de exibição dos filmes.

Isto tudo para dizer o seguinte: Toda a gente se queixa que não há cultura no interior! Toda a gente se queixa que não há iniciativas e hábitos culturais! Por Lisboa, há flyers em todo o lado; não há nenhuma iniciativa que não seja divulgada na internet; há newsletters com informação diversificada. Por estes lados até se vão fazendo umas coisas "jeitosas", só que ninguém as divulga... Custaria alguma coisa aos organizadores do Festival fazer um blog com a programação? O alojamento de blogs até é gratuito...

Enfim..., continuem a brincar aos eventos culturais que pode ser que daí advenham melhorias para o nível cultural do país... (pelo menos estatisticamente...)

Concluído o desbravar deste misterioso festival, resta-me a possibilidade de amanhã ainda poder ver "A Saudade de Veronica Voss" de Fassbinder e depois de amanhã "Playtime" de Jaques Tati e "Flirt" de Hal Hartley. É melhor pouco que nada...

terça-feira, maio 15, 2007

Cinema na televisão, "a treze de Maio"...

Nos últimos tempos tem sido só agricultura para aqui e agricultura para ali. Saio do escritório, vou para a lavoura, chego a casa completamente de rastos e já só há tempo e cabeça para, quando muito, ver um filme que passe na televisão. Já não subo lá acima ao sótão, já não vejo um filme de jeito há pelo menos três semanas e, naturalmente, falta-me assunto para escrever neste blog...

A coisa vai continuar assim durante uns tempos, até porque o fascínio da lavoura me anda a subir à cabeça à medida que o tempo vai passando. No entanto, anteontem quando cheguei a casa, ainda tive tempo para ver um filme que passava na televisão e, de tão hediondo que se mostrou, terei que falar nele...

O filme chama-se "The Miracle of our Lady of Fatima" e foi realizado em 1952 por Jonh Brahm.

Aproveito para dizer, desde já, que não tenho qualquer fé religiosa e, embora respeite aqueles que a têm, não deixo, no entanto, de me sentir intrigado e até um pouco confuso por fenómenos desta Natureza...

A primeira pérola do filme aparece logo ao início, numa espécie de prólogo introdutório. Diz-se que houve em Portugal uma revolução, a qual teve lugar em 1910 e, levada a cabo por um grupo de socialistas, tentou abolir todas as manifestações de fé católica no país. De imediato fiquei espantado por estas considerações históricas, até porque, o que sei da Revolução de 1910, me leva a crer ter a mesma sido efectuada por um grupo de burgueses, daí o seu epíteto de "Revolução Republicana"...

Mais, diz-se no filme que os socialistas perseguiram os padres, prendendo-os e tentando controlar ditatorialmente todas as manifestações de fé. Ora, comprendendo, como compreendo, o carácter laico da Revolução de 1910, consigo perceber muito bem quais as razões que levaram à perseguição da Igreja Católica, sendo certo que nenhuma delas se deveu à tentativa de instauração de um regime comunista em Portugal no ínicio do século passado.

E assim vai o filme continuando, sempre com o comunismo como pano de fundo, tentando dar a entender que Fátima foi a razão pelo qual o mesmo foi travado.

Há muito que considerava Fátima um fenómeno propagandístico do mais alto nível, mas até ter visto este filme não tinha entendido a questão na sua acepção plena... Meia dúzia de doidos em volta de três miúdos que supostamente comunicavam com a "Senhora" e progressivamente mais doidos e mais algazarra e mais fé e mais ignorância e mais pretextos para lutar contra o suposto comunismo e manter o atraso de um Portugal muito pouco iluminado pelo progresso...

Foi de fenómenos como este que se fez a história do Portugal de grande parte do séc. XX... Ora Fátima, ora futebol, ora fado... Só restaria porventura dizer "ora f***-se"!

Quanto ao filme propriamente dito, caberá dizer apenas que é brilhante na sua mediocridade artística, pomposo nas suas fundadas considerações ideológicas e honesto na intenção programática de conservar um Portugal genuíno na pobreza, na ignorância e no atraso...

Ironias à parte, vejam o filme se puderem, vale a pena analisa-lo como documento histórico e propagandístico, no que à manietação de massas menos informadas diz respeito...

segunda-feira, abril 23, 2007

Intermezzo

Como vim viver para o interior, tenho aproveitado para me dedicar a um hobbie que, há muito, tinha esquecido - a agricultura!
Já há uma semana que não vejo um filme e começo a perguntar a mim mesmo se ando doente?
Espero que passe, ou que seja possível compatibilizar tudo o que quero fazer...
Vou amanhã passar uma semana a Lisboa e quero ver se vejo uns filmes, se aproveito o Indie e se tenho qualquer coisa para escrever a partir de Maio.
Pela minha parte, encerra-se o Projector do Sótão até ao próximo mês... Até lá!

sexta-feira, abril 13, 2007

"O estado das coisas"...

Ontem revi "Goodbye Lenin", a, ainda, mais recente longa metragem de Wolfgang Becker.

Sobre o filme não me alongarei em palavras, dado o revisionamento apenas ter servido para desfrutar, pela enésima vez, de alguns momentos de sobeja intensidade cinematográfica! Contra esta obra poder-se-á alegar ser ela demasiado fantasiosa, no que diz respeito ao abordar das personagens e ao encadeamento do enredo, por vezes, um tanto ou quanto, irreal... A favor da mesma, dir-se-á que não é de fantasia que se trata, mas sim de pura magia! Nem sempre o que desejamos é um "cinema-verité" e, por vezes, o cinema dá-nos sonho, ilusão, escapismo... Parabéns a Becker!

Na verdade, a razão que me leva a escrever este post é bem distinta da apreciação do filme em si. Tenho o filme em dvd, numa edição de colecionador, daquelas que estão cheias de preciosismos e maneirismos... Ora, qual o meu espanto quando, chegado ao final do filme, o genérico é cortado ao fim de 25 segundos...

Não basta já que na televisão acelerem os genéricos finais em fast foward (quando não os cortam mesmo), quanto mais fazerem-no em edições de DVD, de coleção ainda por cima?!?...

Exprimida a revolta por este "Stand der Dinge", resta-nos a certeza de que, ainda hoje, se fazem "fotografias" bem bonitas! Gosto desta Lara, é bem melhor que a do David Lean e do Pasternak!

domingo, abril 08, 2007

Mizoguchi e uma rua escura..






Mizoguchi sempre foi o meu realizador Oriental mais mal amado, não sei porquê, mas vi filmes de provavelmente mais de uma dezena de realizadores orientais antes de me dedicar à sua obra.. Quando me decidi então a "perder" tempo com um filme dele fiquei com um sabor estranho na boca, pareceu que o filme esteve sempre lá, mas nunca passou daí.. isto é, foi bom mas podia ter sido melhor.. O filme em questão foi Ugetsu Monogatari.. Além do mais sempre tive a impressão (se calhar errada) que a sua obra passava muito pelo drama histórico e apesar disso não ser mau só por si, nem sempre me apetece passar duas horas no Japão do século XVI!! É neste contexto que Akasen Chitai, ou a Rua da Vergonha (tradução livre do inglês), aparece na minha vida e transforma Mizoguchi (a par de Visconti) no meu próximo vício..

A história (simples) passa-se num bordel e relata o quotidiano das suas trabalhadoras enquanto o Japão discute a ilegalizaçao da prostituição no pós WWII.. Mizoguchi vai desvendando a pouco e pouco as razões que as levaram até aquela opção de vida ao mesmo tempo que aproveita para contextualizar a importância que a prostituição ainda tinha na cultura japonesa.. O filme não perde tempo a definir cada personagem e a escolher uma que tenha um papel principal, preferindo optar por se debruçar um pouco sobre os vários dramas pessoais e permitir assim ao espectador formar a sua própria ideia de como seria realmente a vida de uma prostituta no final dos anos quarenta. Digamos que a personagem principal do filme é a prostituição em si e o mundo na qual está inserida, mundo esse definido na soma dos vários quotidianos retratados..

Penso ainda que o filme consegue guardar uma distância suficiente de modo a não cair no erro que seria fazer o espectador olhar para elas como "umas pobres coitadas" sem outra opção de vida. Ainda que por vezes sejamos levados a identificar-nos com os problemas de umas, também somos levados a sentir uma certa repulsa pelos modos de outras. É aqui que Mizoguchi consegue o equilíbrio e se excusa a tomar partido e, do meu ponto de vista, consegue aguentar todo o filme, pois caindo para um lado ou para outro corria o risco de perder um filme e ganhar um panfleto..

Assumo pois que passar tanto tempo ao lado da obra de Mizoguchi terá sido um erro, mas garanto que é um daqueles que depresssa estarei disposto a corrigir..